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TUKAN ou STRADA: vale a pena esperar pela nova picape Volkswagen?

Pela primeira vez em anos você terá uma opção à Fiat Strada, que é a melhor picape da categoria por demérito das concorrentes: a Saveiro tem duas portas, deriva do Gol 2008, carece de câmbio automático e tem suspensão de automóvel; a Montana tem correia banhada a óleo, pouco espaço no banco traseiro e suspensão de automóvel; e a Oroch ainda carrega os traços do Duster 2011 e está em vias de sair de linha. A Tukan é um sopro de novidade com um gostinho familiar.

Tukan é nova, porém não muito

Sob a carroceria da nova picape está a conhecida plataforma MQB-A0 herdada do Polo G6 lançado em 2017. Também não é novo o motor da família EA-211, já conhecido dos mecânicos e que tem milhões de unidades rodando pelo Brasil. Na prática, a Tukan é uma nova velha conhecida.

O que é realmente novo nela é a suspensão traseira com eixo rígido e molas parabólicas, receita utilizada por Chevrolet Corsa Pick-up, Ford Courier e a própria Fiat Strada, que herdou da Fiorino 1994 — antes a picape Fiat usava feixe de molas transversal como o Uno. Vejo como a melhor suspensão para veículos baratos de trabalho porque resiste bem ao peso sem sacrificar a cambagem e nem o conforto. O conceito de suspensão de automóvel usado pelas três gerações da Montana (Corsa, Agile e Tracker) e pela Saveiro resultam em problemas graves ao longo do tempo.

Há quem diga que a Volkswagen errou nessa suspensão justamente quando a picape se transforma num veículo familiar de fato, com quatro portas e cinco lugares, mas a verdade é que mesmo os pais de família exigem uma suspensão parruda numa picape. Ninguém reclama da Strada Volcano e versões superiores.

Problemas da Saveiro corrigidos

Sempre me incomodei com a delicadeza da Saveiro, como se ela não abraçasse de fato a vida laboriosa de um automóvel com carroceria: apenas duas portas, suspensão traseira de Golf, freio a disco na traseira, para-choque traseiro lisinho sem degrau que desalinha no menor impacto, abertura da tampa pelo logo VW. O conjunto é bom na Cross, mas totalmente perdido na Robust.

E apesar dessa verve bon vivant, nunca ofereceu um câmbio automótico, coisa que a Strada tem desde o Dualogic e o Gol chegou a oferecer em fim de carreira. É provável que o AQ-160 não resista ao serviço pesado, mas em pleno anos 2020 é difícil vender algo com pedal de embreagem por mais de R$ 100 mil.

Embora a Tukan Robust chegue mais tarde com motor 1.6 MSI e dedicação total ao serviço pesado, as versões mais desejadas terão motor TSI e câmbio automático de verdade, com seis marchas. É melhor que o CVT adotado pela Oroch Outsider e pela Strada, afinal esse tipo de câmbio não é bom com peso, tanto que a Fiat deixa bem claro que a Strada Turbo tem limitação de Carga Máxima Total, que é a soma do PBT com o peso do reboque. Na prática, ou coloca peso no reboque ou na picape.

A Tukan Highline será rival direta de Strada Ranch e Montana LTZ ali na faixa dos R$ 160 mil, abaixo de Toro Endurance, Renault Niágara e BYD Mako, que derivam de carros do segmento C (Compass, Boreal e Song Plus). Não terá o CVT da Fiat nem a correia banhada da Chevrolet.

Pela primeira vez em décadas a Volkswagen desafiará a liderança da Fiat Strada, a Montana não terá chances reais contra a novidade, bem como a combalida Oroch. Tudo indica que o reinado da Fiat está em risco.

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